
Os ecossistemas costeiros podem salvar o clima enquanto protegem as comunidades locais?
As florestas de mangue, os pântanos salgados e as pradarias marinhas desempenham um papel fundamental no combate às alterações climáticas. Estes ambientes, chamados ecossistemas de carbono azul, armazenam enormes quantidades de carbono nos seus solos e vegetação. Também protegem as costas contra a erosão e abrigam uma rica biodiversidade. No entanto, a sua degradação continua a ameaçar estes benefícios.
Para maximizar o seu potencial, é necessário integrar melhor os saberes tradicionais das populações costeiras na sua gestão. Estes conhecimentos, transmitidos ao longo de gerações, permitem adaptar os projetos de conservação às realidades locais. Por exemplo, algumas iniciativas em Fiji mostram que a gestão participativa pode preservar a natureza e, ao mesmo tempo, apoiar os meios de subsistência. No entanto, estas abordagens nem sempre garantem benefícios ecológicos ou económicos claros, o que destaca a necessidade de compreender melhor os seus impactos.
A restauração destes ecossistemas continua a ser um desafio. Os custos variam conforme as regiões e os métodos. Plantar mangues é menos dispendioso do que restaurar pradarias marinhas ou pântanos, mas o sucesso depende muitas vezes da qualidade do local e do envolvimento das comunidades. As técnicas devem ser adaptadas a cada ambiente para serem eficazes e sustentáveis.
Os cientistas também destacam a importância de medir com precisão os fluxos de gases de efeito estufa nestes ambientes. As emissões de metano e óxido nitroso, embora menos conhecidas do que o armazenamento de carbono, influenciam o seu balanço climático. Ferramentas como a deteção remota e a inteligência artificial ajudam a estimar melhor estes fluxos e a mapear as áreas prioritárias.
Por fim, para que estes ecossistemas contribuam plenamente para o combate ao aquecimento global, é necessário simplificar os métodos de créditos de carbono, mantendo o seu rigor. Isto permitiria atrair mais financiamentos e garantir uma gestão equitativa, associando as populações locais às decisões. O desafio é conciliar a proteção do clima, a preservação da biodiversidade e o desenvolvimento das comunidades costeiras.
À propos de nos sources
Étude citée
DOI : https://doi.org/10.1038/s41559-026-03020-6
Titre : Priority questions for the next decade of blue carbon science
Revue : Nature Ecology & Evolution
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Peter I. Macreadie; George E. Biddulph; Pere Masque; Hilary Kennedy; Jimena Samper-Villarreal; J. Patrick Megonigal; Hannah K. Morrissette; Tania E. Romero-Gonzalez; Vanessa Hatje; Jana Friedrich; Sigit D. Sasmito; Kenta Watanabe; Inés Mazarrasa; Dorte Krause-Jensen; Janine B. Adams; Miguel Cifuentes-Jara; Ariane Arias-Ortiz; Andre S. Rovai; Milica Stankovic; Kirsten Isensee; Ana M. Queirós; Luzhen Chen; Jorge Herrera-Silveira; Catriona L. Hurd; Rashid Ismail; Ken W. Krauss; Anna Lafratta; Maria M. Palacios; William E. N. Austin