O degelo do permafrost libera CO2, mas as rochas podem absorver parte dele
O aquecimento global está derretendo o permafrost, liberando imensas quantidades de carbono orgânico aprisionado há milênios. Esse carbono, uma vez mineralizado, é emitido na forma de dióxido de carbono na atmosfera pelos rios, amplificando assim o efeito estufa. No entanto, essa dinâmica não é a única em jogo. O degelo também expõe minerais até então protegidos, acelerando sua alteração química. Esse processo, chamado de intemperismo de rochas, pode capturar dióxido de carbono ao produzir íons que neutralizam a acidez ou formam carbonatos.
Um estudo realizado no planalto tibetano, onde o permafrost é particularmente vulnerável, revela uma interação complexa entre esses dois mecanismos. Os pesquisadores observaram que, nas áreas onde o permafrost é contínuo, as emissões de CO2 pelos rios dominam. Por outro lado, onde o permafrost se torna descontínuo ou isolado, o intemperismo das rochas prevalece. Nesses casos, o CO2 absorvido pela alteração dos minerais pode superar as emissões dos rios, às vezes até compensá-las totalmente.
O planalto tibetano, com seus 780.000 quilômetros quadrados de bacias hidrográficas, oferece um terreno ideal para estudar esses fenômenos. Os rios transportam carbono orgânico antigo, proveniente do degelo, mas também carbono inorgânico resultante do intemperismo das rochas. As análises mostram que o carbono orgânico dissolvido nesses rios provém, em um terço, de fontes antigas, como o permafrost ou as rochas, enquanto o restante é mais recente. O carbono inorgânico, por sua vez, é parcialmente originário do intemperismo de carbonatos e silicatos, minerais que, ao se dissolvere, retêm o CO2.
Os resultados indicam que, em certas áreas, o intemperismo das rochas absorve até 35% das emissões de CO2 dos rios. Em regiões onde o permafrost é menos extenso, essa porcentagem pode até ultrapassar 100%, significando que a absorção supera as emissões. Esse fenômeno poderia se intensificar com o aquecimento, já que o degelo expõe mais superfícies minerais reativas.
O intemperismo das rochas age como um contrapeso natural às emissões de carbono. Quando sulfetos, como a pirita, oxidam, eles liberam CO2, mas o intemperismo de carbonatos e silicatos, por sua vez, o absorve. No planalto tibetano, onde os carbonatos dominam, esse processo atenua parte das emissões relacionadas ao degelo. No entanto, em áreas ricas em sulfetos, a oxidação desses minerais poderia agravar as emissões de CO2.
Os rios do planalto tibetano emitem atualmente cerca de 2,3 milhões de toneladas de carbono por ano na forma de CO2. Ao mesmo tempo, o intemperismo das rochas absorve cerca de 0,8 milhão de toneladas, ou seja, 35% das emissões fluviais. Esses números mostram que, mesmo que o degelo do permafrost libere carbono antigo, as reações geoquímicas podem neutralizar uma parte significativa dele.
Essa descoberta destaca a importância de considerar tanto os processos biológicos quanto os geológicos para entender o impacto do degelo no ciclo do carbono. Os modelos climáticos deveriam integrar esses mecanismos para avaliar com precisão o papel das regiões de permafrost no aquecimento global.
O degelo do permafrost libera CO2, mas as rochas podem absorver parte dele
O aquecimento global está derretendo o permafrost, liberando imensas quantidades de carbono orgânico aprisionado há milênios. Esse carbono, uma vez mineralizado, é emitido na forma de dióxido de carbono na atmosfera pelos rios, amplificando assim o efeito estufa. No entanto, essa dinâmica não é a única em jogo. O degelo também expõe minerais até então protegidos, acelerando sua alteração química. Esse processo, chamado de intemperismo de rochas, pode capturar dióxido de carbono ao produzir íons que neutralizam a acidez ou formam carbonatos.
Um estudo realizado no planalto tibetano, onde o permafrost é particularmente vulnerável, revela uma interação complexa entre esses dois mecanismos. Os pesquisadores observaram que, nas áreas onde o permafrost é contínuo, as emissões de CO2 pelos rios dominam. Por outro lado, onde o permafrost se torna descontínuo ou isolado, o intemperismo das rochas prevalece. Nesses casos, o CO2 absorvido pela alteração dos minerais pode superar as emissões dos rios, às vezes até compensá-las totalmente.
O planalto tibetano, com seus 780.000 quilômetros quadrados de bacias hidrográficas, oferece um terreno ideal para estudar esses fenômenos. Os rios transportam carbono orgânico antigo, proveniente do degelo, mas também carbono inorgânico resultante do intemperismo das rochas. As análises mostram que o carbono orgânico dissolvido nesses rios provém, em um terço, de fontes antigas, como o permafrost ou as rochas, enquanto o restante é mais recente. O carbono inorgânico, por sua vez, é parcialmente originário do intemperismo de carbonatos e silicatos, minerais que, ao se dissolvere, retêm o CO2.
Os resultados indicam que, em certas áreas, o intemperismo das rochas absorve até 35% das emissões de CO2 dos rios. Em regiões onde o permafrost é menos extenso, essa porcentagem pode até ultrapassar 100%, significando que a absorção supera as emissões. Esse fenômeno poderia se intensificar com o aquecimento, já que o degelo expõe mais superfícies minerais reativas.
O intemperismo das rochas age como um contrapeso natural às emissões de carbono. Quando sulfetos, como a pirita, oxidam, eles liberam CO2, mas o intemperismo de carbonatos e silicatos, por sua vez, o absorve. No planalto tibetano, onde os carbonatos dominam, esse processo atenua parte das emissões relacionadas ao degelo. No entanto, em áreas ricas em sulfetos, a oxidação desses minerais poderia agravar as emissões de CO2.
Os rios do planalto tibetano emitem atualmente cerca de 2,3 milhões de toneladas de carbono por ano na forma de CO2. Ao mesmo tempo, o intemperismo das rochas absorve cerca de 0,8 milhão de toneladas, ou seja, 35% das emissões fluviais. Esses números mostram que, mesmo que o degelo do permafrost libere carbono antigo, as reações geoquímicas podem neutralizar uma parte significativa dele.
Essa descoberta destaca a importância de considerar tanto os processos biológicos quanto os geológicos para entender o impacto do degelo no ciclo do carbono. Os modelos climáticos deveriam integrar esses mecanismos para avaliar com precisão o papel das regiões de permafrost no aquecimento global.
À propos de nos sources
Étude citée
DOI : https://doi.org/10.1038/s41586-026-10664-8
Titre : Rock weathering can counteract river CO2 emissions induced by permafrost thaw
Revue : Nature
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Liwei Zhang; Aaron Bufe; Joshua F. Dean; Gerard Rocher-Ros; Ryan A. Sponseller; Emily H. Stanley; Jan Karlsson; David E. Butman; Ran Liu; Lijun Hou; Jinzhi Ding; Shilong Piao; Xinghui Xia; Tom J. Battin