{"id":39,"date":"2026-06-19T23:33:31","date_gmt":"2026-06-19T21:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/2026\/06\/19\/o-degelo-do-permafrost-libera-co2-mas-as-rochas-podem-absorver-parte-dele\/"},"modified":"2026-06-19T23:34:01","modified_gmt":"2026-06-19T21:34:01","slug":"o-degelo-do-permafrost-libera-co2-mas-as-rochas-podem-absorver-parte-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/2026\/06\/19\/o-degelo-do-permafrost-libera-co2-mas-as-rochas-podem-absorver-parte-dele\/","title":{"rendered":"O degelo do permafrost libera CO2, mas as rochas podem absorver parte dele"},"content":{"rendered":"<h1>O degelo do permafrost libera CO2, mas as rochas podem absorver parte dele<\/h1>\n<p>O aquecimento global est\u00e1 derretendo o permafrost, liberando imensas quantidades de carbono org\u00e2nico aprisionado h\u00e1 mil\u00eanios. Esse carbono, uma vez mineralizado, \u00e9 emitido na forma de di\u00f3xido de carbono na atmosfera pelos rios, amplificando assim o efeito estufa. No entanto, essa din\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica em jogo. O degelo tamb\u00e9m exp\u00f5e minerais at\u00e9 ent\u00e3o protegidos, acelerando sua altera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Esse processo, chamado de intemperismo de rochas, pode capturar di\u00f3xido de carbono ao produzir \u00edons que neutralizam a acidez ou formam carbonatos.<\/p>\n<p>Um estudo realizado no planalto tibetano, onde o permafrost \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel, revela uma intera\u00e7\u00e3o complexa entre esses dois mecanismos. Os pesquisadores observaram que, nas \u00e1reas onde o permafrost \u00e9 cont\u00ednuo, as emiss\u00f5es de CO2 pelos rios dominam. Por outro lado, onde o permafrost se torna descont\u00ednuo ou isolado, o intemperismo das rochas prevalece. Nesses casos, o CO2 absorvido pela altera\u00e7\u00e3o dos minerais pode superar as emiss\u00f5es dos rios, \u00e0s vezes at\u00e9 compens\u00e1-las totalmente.<\/p>\n<p>O planalto tibetano, com seus 780.000 quil\u00f4metros quadrados de bacias hidrogr\u00e1ficas, oferece um terreno ideal para estudar esses fen\u00f4menos. Os rios transportam carbono org\u00e2nico antigo, proveniente do degelo, mas tamb\u00e9m carbono inorg\u00e2nico resultante do intemperismo das rochas. As an\u00e1lises mostram que o carbono org\u00e2nico dissolvido nesses rios prov\u00e9m, em um ter\u00e7o, de fontes antigas, como o permafrost ou as rochas, enquanto o restante \u00e9 mais recente. O carbono inorg\u00e2nico, por sua vez, \u00e9 parcialmente origin\u00e1rio do intemperismo de carbonatos e silicatos, minerais que, ao se dissolvere, ret\u00eam o CO2.<\/p>\n<p>Os resultados indicam que, em certas \u00e1reas, o intemperismo das rochas absorve at\u00e9 35% das emiss\u00f5es de CO2 dos rios. Em regi\u00f5es onde o permafrost \u00e9 menos extenso, essa porcentagem pode at\u00e9 ultrapassar 100%, significando que a absor\u00e7\u00e3o supera as emiss\u00f5es. Esse fen\u00f4meno poderia se intensificar com o aquecimento, j\u00e1 que o degelo exp\u00f5e mais superf\u00edcies minerais reativas.<\/p>\n<p>O intemperismo das rochas age como um contrapeso natural \u00e0s emiss\u00f5es de carbono. Quando sulfetos, como a pirita, oxidam, eles liberam CO2, mas o intemperismo de carbonatos e silicatos, por sua vez, o absorve. No planalto tibetano, onde os carbonatos dominam, esse processo atenua parte das emiss\u00f5es relacionadas ao degelo. No entanto, em \u00e1reas ricas em sulfetos, a oxida\u00e7\u00e3o desses minerais poderia agravar as emiss\u00f5es de CO2.<\/p>\n<p>Os rios do planalto tibetano emitem atualmente cerca de 2,3 milh\u00f5es de toneladas de carbono por ano na forma de CO2. Ao mesmo tempo, o intemperismo das rochas absorve cerca de 0,8 milh\u00e3o de toneladas, ou seja, 35% das emiss\u00f5es fluviais. Esses n\u00fameros mostram que, mesmo que o degelo do permafrost libere carbono antigo, as rea\u00e7\u00f5es geoqu\u00edmicas podem neutralizar uma parte significativa dele.<\/p>\n<p>Essa descoberta destaca a import\u00e2ncia de considerar tanto os processos biol\u00f3gicos quanto os geol\u00f3gicos para entender o impacto do degelo no ciclo do carbono. Os modelos clim\u00e1ticos deveriam integrar esses mecanismos para avaliar com precis\u00e3o o papel das regi\u00f5es de permafrost no aquecimento global.<\/p>\n<h1>O degelo do permafrost libera CO2, mas as rochas podem absorver parte dele<\/h1>\n<p>O aquecimento global est\u00e1 derretendo o permafrost, liberando imensas quantidades de carbono org\u00e2nico aprisionado h\u00e1 mil\u00eanios. Esse carbono, uma vez mineralizado, \u00e9 emitido na forma de di\u00f3xido de carbono na atmosfera pelos rios, amplificando assim o efeito estufa. No entanto, essa din\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica em jogo. O degelo tamb\u00e9m exp\u00f5e minerais at\u00e9 ent\u00e3o protegidos, acelerando sua altera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Esse processo, chamado de intemperismo de rochas, pode capturar di\u00f3xido de carbono ao produzir \u00edons que neutralizam a acidez ou formam carbonatos.<\/p>\n<p>Um estudo realizado no planalto tibetano, onde o permafrost \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel, revela uma intera\u00e7\u00e3o complexa entre esses dois mecanismos. Os pesquisadores observaram que, nas \u00e1reas onde o permafrost \u00e9 cont\u00ednuo, as emiss\u00f5es de CO2 pelos rios dominam. Por outro lado, onde o permafrost se torna descont\u00ednuo ou isolado, o intemperismo das rochas prevalece. Nesses casos, o CO2 absorvido pela altera\u00e7\u00e3o dos minerais pode superar as emiss\u00f5es dos rios, \u00e0s vezes at\u00e9 compens\u00e1-las totalmente.<\/p>\n<p>O planalto tibetano, com seus 780.000 quil\u00f4metros quadrados de bacias hidrogr\u00e1ficas, oferece um terreno ideal para estudar esses fen\u00f4menos. Os rios transportam carbono org\u00e2nico antigo, proveniente do degelo, mas tamb\u00e9m carbono inorg\u00e2nico resultante do intemperismo das rochas. As an\u00e1lises mostram que o carbono org\u00e2nico dissolvido nesses rios prov\u00e9m, em um ter\u00e7o, de fontes antigas, como o permafrost ou as rochas, enquanto o restante \u00e9 mais recente. O carbono inorg\u00e2nico, por sua vez, \u00e9 parcialmente origin\u00e1rio do intemperismo de carbonatos e silicatos, minerais que, ao se dissolvere, ret\u00eam o CO2.<\/p>\n<p>Os resultados indicam que, em certas \u00e1reas, o intemperismo das rochas absorve at\u00e9 35% das emiss\u00f5es de CO2 dos rios. Em regi\u00f5es onde o permafrost \u00e9 menos extenso, essa porcentagem pode at\u00e9 ultrapassar 100%, significando que a absor\u00e7\u00e3o supera as emiss\u00f5es. Esse fen\u00f4meno poderia se intensificar com o aquecimento, j\u00e1 que o degelo exp\u00f5e mais superf\u00edcies minerais reativas.<\/p>\n<p>O intemperismo das rochas age como um contrapeso natural \u00e0s emiss\u00f5es de carbono. Quando sulfetos, como a pirita, oxidam, eles liberam CO2, mas o intemperismo de carbonatos e silicatos, por sua vez, o absorve. No planalto tibetano, onde os carbonatos dominam, esse processo atenua parte das emiss\u00f5es relacionadas ao degelo. No entanto, em \u00e1reas ricas em sulfetos, a oxida\u00e7\u00e3o desses minerais poderia agravar as emiss\u00f5es de CO2.<\/p>\n<p>Os rios do planalto tibetano emitem atualmente cerca de 2,3 milh\u00f5es de toneladas de carbono por ano na forma de CO2. Ao mesmo tempo, o intemperismo das rochas absorve cerca de 0,8 milh\u00e3o de toneladas, ou seja, 35% das emiss\u00f5es fluviais. Esses n\u00fameros mostram que, mesmo que o degelo do permafrost libere carbono antigo, as rea\u00e7\u00f5es geoqu\u00edmicas podem neutralizar uma parte significativa dele.<\/p>\n<p>Essa descoberta destaca a import\u00e2ncia de considerar tanto os processos biol\u00f3gicos quanto os geol\u00f3gicos para entender o impacto do degelo no ciclo do carbono. Os modelos clim\u00e1ticos deveriam integrar esses mecanismos para avaliar com precis\u00e3o o papel das regi\u00f5es de permafrost no aquecimento global.<\/p>\n<hr>\n<h2>\u00c0 propos de nos sources<\/h2>\n<h3>\u00c9tude cit\u00e9e<\/h3>\n<p><strong>DOI\u00a0:<\/strong> <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-026-10664-8\" target=\"_blank\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-026-10664-8<\/a><\/p>\n<p><strong>Titre\u00a0:<\/strong> Rock weathering can counteract river CO2 emissions induced by permafrost thaw<\/p>\n<p><strong>Revue : <\/strong> Nature<\/p>\n<p><strong>\u00c9diteur : <\/strong> Springer Science and Business Media LLC<\/p>\n<p><strong>Auteurs : <\/strong> Liwei Zhang; Aaron Bufe; Joshua F. Dean; Gerard Rocher-Ros; Ryan A. Sponseller; Emily H. Stanley; Jan Karlsson; David E. Butman; Ran Liu; Lijun Hou; Jinzhi Ding; Shilong Piao; Xinghui Xia; Tom J. Battin<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O degelo do permafrost libera CO2, mas as rochas podem absorver parte dele O aquecimento global est\u00e1 derretendo o permafrost, liberando imensas quantidades de carbono org\u00e2nico aprisionado h\u00e1 mil\u00eanios. Esse carbono, uma vez mineralizado, \u00e9 emitido na forma de di\u00f3xido de carbono na atmosfera pelos rios, amplificando assim o efeito estufa. No entanto, essa din\u00e2mica&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/2026\/06\/19\/o-degelo-do-permafrost-libera-co2-mas-as-rochas-podem-absorver-parte-dele\/\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">O degelo do permafrost libera CO2, mas as rochas podem absorver parte dele<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-39","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-meio-ambiente","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40,"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39\/revisions\/40"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/theworldofclimatechange.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}